A Marcha da Maconha e a liberalização das drogas
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Antes de mais nada, para ninguém começar a pensar “ele ficou louco? o que tem a ver com tecnologia esse post?”, quero dizer que realmente não tem nada a ver com tecnologia. Eu fiz essa categoria “Fora de tema” justamente para fugir de assuntos tecnológicos ao máximo. O objetivo é algumas vezes informar quem lê meu blog tecnológico sobre algumas coisas que estão acontecendo. Isso é bom para quem é gosta de hardware, software e afins não ficar “bitolado” somente nisso e ganhar informação com base em opiniões diferentes de coisas do cotidiano, que estão acontecendo pelo mundo. Mas não se preocupe. Os “Fora de tema” não serão foco do blog. É só um apêndice, algo diferente, que no máximo (ou próximo disso) vai aparecer uma vez por mês. A Marcha da Maconha ou Marcha da LiberdadeHoje aconteceu aqui em Florianópolis a Marcha da Maconha, ou como agora começaram a dizer, a Marcha da Liberdade. O movimento mudou de nome, acho que temporariamente, com o objetivo de protestar contra a truculência das que estão sendo recebidos pelas diversas cidades. Para quem estava em Marte, a Marcha da Maconha tem como objetivo informar e chamar para o debate a sociedade e o poder público para descriminalização e liberação não somente medicinal mas recreativa da famosa erva. Em diversas manifestações além de conflitos com as forças policiais, por motivos nem sempre esclarecidos, é comum o judiciário tentar e até proibir o movimento, sob o protesto que violaria o artigo 286 do Código Penal e/ou o artigo o artigo 33 da Lei 11343/06 (Lei de Tóxicos), ou seja, a Marcha incentivaria ao crime e o consumo de drogas proibidas. Liberdade suprimidaO poder público, sob pressão de segmentos da sociedade afrontam a Constituição quando tentar proibir uma manifestação legítima. Pois de maneira alguma a Marcha da Maconha é incitação ao crime. O movimento não tem como objetivo incentivar outros a usarem drogas (embora alguns na manifestação tentam sabotar seus próprios interesses levando drogas ao local e fazendo cartazes de puro incentivo. Mas isso não é o cerne do movimento. São pessoas estúpidas que dão um tiro no próprio pé). A manifestação tenta chamar para um debate público a sociedade, usando o artifício legal, correto, da liberdade de manifestação, previsto no artigo 5º da Constituição Federal do Brasil, protegido inclusive por cláusula pétrea. Então quem tenta proibir está atentando contra nossa ordem democrática, batendo de frente com tudo que se lutou nos tempos da ditadura, indo de encontro ao que toda sociedade quer, ou seja, ser livre para qualquer um divulgar suas ideias, fazendo uma sociedade plural e não uma ditadura da maioria. Maconha é tão vilã quanto o tabacoPara dar continuidade aos próximos argumentos, tenho que informar algo que muitos tentam esconder. Se você conversar com qualquer um, todos vão saber dos males do cigarro de tabaco, mas do males da maconha? Alguns talvez ainda vão ficar surpresos, desconhecendo seu lado maléfico. Para começar, é bom informar que a maconha é 5 vezes mais cancerígena chegando aos absurdo de 20 vezes mais nociva que o cigarro de tabaco! Sim, é isso mesmo. A maconha comum é 5 vezes mais cancerígena e outras variedades concentram mais substância maléficas – pra ter uma ideia, normalmente a cannabis sativa tem 9% de THC, mas algumas variedades chegam a ter 37%!. A Nova Zelândia tem um estudo onde já diz que há uma epidemia de câncer relacionado à maconha. 1 em cada 20 casos de câncer de já pode ser associado a erva – leve em consideração ainda que a quantidade de fumantes de baseados são muito menores do que o consumo de cigarros “legalizados” de tabaco. O mito do “fumo mais natural” já começa a ser derrubado por aí. Mas não para. A lista de males é enorme e mais preocupante. Vou fazer uma lista com a notícia dos fatos: “Cientistas apontam danos da maconha no cérebro“: “Cigarro de maconha ‘causa os mesmos danos de 5 de tabaco‘”: “Maconha ‘pode antecipar sintomas de esquizofrenia‘”: “Maconha prejudica fertilidade de homens, diz estudo”: “Maconha pode ‘dobrar o risco de doenças mentais‘”: “Maconha aumenta chances de derrame, diz estudo”: “Pesquisa liga uso de maconha a agressividade“: “Maconha pode aumentar o risco de psicose, diz estudo”: “Maconha é mais cancerígena que tabaco, diz estudo”: “Fumaça de maconha é mais tóxica que de cigarro, diz estudo”: “Maconha pode afetar cérebro de fetos, diz estudo”: “Maconha pode ‘encolher o cérebro‘, dizem cientistas”: “Maconha tem efeitos psicotrópicos cada vez mais poderoso”: “Estudo liga uso de maconha a câncer de testículo“: Então, não sejamos ingênuos ou cegos. Maconha tem efeitos terríveis na saúde humana. Liberdade individual, custo coletivo. E a liberdade de outros, como fica?Tentei pesquisas sobre propostas e não encontrei grande divulgação de nada. Até mesmo o Para pensar nisso é só pensar no cigarro de tabaco (que aqui vou chamar só de “cigarro”). O cigarro está em franca decadência, ficou fora de moda. Antes quase a maioria absoluta adulta do país fumava, nos últimos 15 anos caiu pra metade da população e agora está por volta de 30% dos adultos do Brasil. Cairá mais, com certeza. Agora o fumo é tido como algo retrógrado, que causa males. Ninguém quer ter algum fumante por perto. É vergonhoso até fumar. O contrário parecer acontecer com a maconha. Que parece está na moda (principalmente no Brasil que o consumo cresceu vertiginosamente). De 1% da população sendo usuária na última década estamos em 3%. O consumo é crescente e ninguém fala dos males, que como mostrei, são piores que o cigarro. Aí mora o problema. Fumo ativo é a primeira causa de morte evitável. E o custo para o país é de mais de 300 milhões por ano, dinheiro destinado ao Sistema Único de Saúde (SUS). Morrem muitos pelo cigarro e o custo é dividido por todos, mas sabe do pior? A liberdade que uns tem em fumar tira a liberdade de outros. Quando um fuma obriga outros a fumarem. Apesar de a pouco tempo algumas cidades proibirem o fumo de lugares público fechados, ainda é permitido fumar em qualquer lugar público. O custo disso se resume que o fumo passivo é a terceira causa de morte evitável! Causa um prejuízo de quase 40 milhões anuais e 40% das vítimas do fumo passivo são crianças. E lembra das pesquisas ali de cima? Maconha é 5 vezes mais cancerígenas que o cigarro, podendo chegar até a 20 vezes mais tóxica. E então? Por que ninguém esclarece isso? A liberação será como do cigarro? Por assim a Marcha da Maconha, que mudou o nome para Marcha da Liberdade, será a Marcha da Incoerência, pois por prazer pessoal querer tirar a liberdade de outros – nem quer ser obrigado a fumar maconha passivamente, como acontece com cigarro – é a mais vil incoerência que pode existir. Minha opinião é: ou deem publicidade dos efeitos maléficos e definam um consumo restrito, longe de outras pessoas, em lugares específicos próprio, ou esqueçam o significado de liberdade que tanto falam nas manifestações. A violência não vai acabar liberando a maconha ou outras drogasTem muita gente que fala que a liberalização da maconha vai fazer o tráfico retrair, acabar com a violência. Isso não tem sentido lógico. Quem compra de traficante obviamente financia a violência, mas o tráfico não vive exclusivamente de maconha, nem mesmo é seu principal produto de receita. Maconha é um dos produtos que menos gera lucro, mesmo tendo um lucro comparado maior. A receita gerada é muito menor que outras drogas como cocaína ou crack e até mesmo a pirataria (que até é socialmente aceita). Para ter uma ideia, no Rio o lucro por quilo obtido pela cocaína é de R$20.000, do crack R$30.000. Mesmo com lucro de 1500% comparando o preço da compra e da venda, a maconha gera receita de R$5.000, isso porque a venda no varejo tem um dos menores valores praticados. Como diz Bo Mathiasen, representante da UNODC (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes), legalizar a maconha não vai trazer impacto algum sobre o tráfico. Esse argumento então, de legalizar para combater o tráfico, é pura falácia. Ainda em relação com outras drogas, a questão é que liberando todas, de modo hipotético, sem pensar nas consequências sociais e econômicas por causa da facilidade em viciar e tornar muitas pessoas doentes e/ou improdutivas, ainda assim o crime não acabaria, pois o processo de formação do crime é muito mais complexo, envolvendo toda uma estrutura social e econômica. O mito da repressãoUm dos maiores mitos que muitos estão tentando tonar verdade é que a repressão é prejudicial, que isso gera mais violência. Rio e Juarez, no México, estão aí para provar… será? Ninguém percebeu que não há a violência urbana no mesmo tipo em Oslo, em Londres, em Berlim, em Tóquio? Já perceberam que a violência extrema está associado a lugares onde o poder público deixou de estar? Cito periferia das grandes cidades brasileiras, Juarez, periferia de Los Angeles e Nova Iorque, etc. Já perceberam que onde há sociedade esquecida e marginalizada a bandidagem se aproveita? Seria isso por causa da repressão às drogas? Alguém é ingênuo de pensar que liberando as drogas, como muitos querem, o violência vai magicamente desaparecer e os problemas sociais irão simplesmente sumir? O consumo é igualmente verdadeiro. Criou-se o mito que a repressão faz o consumo crescer. Mas será que são coisas conexas? Eu não tenho certeza. Na Holanda onde se libera muitas drogas, não há violência, mas também não há problemas sociais extremos, como em outros países (alguém acha que Amsterdã é igual a Juarez?). A maconha, que é liberada, não tem um consumo baixo. Metade das pessoas entre 20 e 25 anos já fumou a cannabis sativa ou uma variação (como o skunk, ou skank, que é mais forte). E quase 20% dos adultos consomem regularmente! Muito acima da média mundial. Se ver os índices da ONU, onde a repressão é maior, há menos consumo, onde há mais liberdade o consumo é maior. O mesmo acontece até com drogas lícitas, como o cigarro. O eficiente programa antidrogas sueco![]() Suécia venceu a guerra contra as drogas com repressão e principalmente prevenção / Wikimedia Commons O mais importante ainda é saber do programa antidrogas sueco. A Suécia tem o sistema mais eficiente, com alta repressão completado com muita educação. A Suécia, nos anos 50, começou uma política de liberação de anfetaminas (principais drogas do mundo). O consumo então disparou. Nos anos 60 e 70 o governo decidiu então que a saúde da população deveria vir em primeiro lugar. Começou então a repressão e uma forte prevenção, que faziam parte a educação preventiva e todo um compromisso do Estado com a recuperação das pessoas. Nos anos 90 houve um corte no orçamento. A repressão e a prevenção diminuíram, aumentando então o consumo de drogas. Nos anos 2000, voltou um forte esquema para fazer do programa sueco o que ele é hoje. O consumo de anfetaminas, maconha e outras drogas caiu muito por conta do compromisso do governo e do aparato do Estado com a sociedade. Agindo de maneira repressiva e tendo uma forte prevenção. Hoje a Suécia é referência no combate às drogas. O país escandinavo pode se dar ao luxo de dizer que venceu a guerra contra as drogas, contradizendo muitos que dizem que a guerra contra as drogas está perdida – veja o documento da UNODC, Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime: http://ubuntuone.com/p/wD3/ O resumo de tudoMaconha faz bem? Faz pra fiz medicinais, para quem tem uma doenças em específico, mas para fins recreativos não. Ela chega a ser pior que o cigarro de tabaco. Causa doenças e pode levar a morte (câncer pode matar, acredite). É preciso que todos tenham clareza disso antes de tudo. Decisões com base no puro individualismo é burra e irresponsável. Maconha deve ser liberada? Sim, mesmo a saúde sendo um bem jurídico indisponível e custando caro para os contribuintes pagar os malefícios, a liberdade de fazer o que bem entenda é muito mais importante. A pessoa deve ter o direito de definir seu futuro, mesmo que isso custe aos cofres públicos, pois esse é um preço que todos pagamos por viver em terras de liberdade (e liberdade até certo ponto é um bem mais valioso que a própria vida). Mas claro, tudo isso desde que não prejudique outros. Deve haver um modelo que não permita que o prazer de uns prejudiquem terceiros. Com cigarro, e sua poderoso indústria bilionária, não foi possível isso. Se conseguirem fazer o que não foi possível com o cigarro, ótimo, senão, a sociedade vai pagar com sua liberdade e sua saúde. E as drogas de maneira geral? Perdemos a guerra e por isso devem ser liberadas? De maneira alguma. Liberar as drogas de maneira geral é um erro. Quem quer ver cocaína, heroína, ópio, crack e outras drogas por aí, que podem viciar num primeiro consumo, conseguidas de maneira fácil?. Seria um caos social. Seria pior do que estamos vendo por aí, pessoas se transformando em coisas, perdendo a humanidade e a dignidade. Tirar o usuário da boca da prisão, tratando como doente, como dependente químico e psicológico tudo bem, mas amenizar a repressão nunca. É irresponsável e fora da realidade. A guerra em alguns lugares está perdida por incompetência e corrupção. Em muitos lugares não há vontade do poder público, em outros há má gestão e em outros há interesse que haja mais violência – é só lembrar de alguns políticos e magistrados envolvidos com o narcotráfico. Se pegarmos como parâmetro o excelente modelo sueco, podemos ver que quando há competência e vontade, há solução. |












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